Minha “vidinha” do lar

Family house

Sou mãe de três filhos. Quando ando na rua com os três, com certa dificuldade, as pessoas me perguntam, espantadas: “Os três são seus?” Ouço alguns comentários, como: “Você é tão jovem! Nem parece mãe deles. Que corajosa!” É, talvez seja preciso ter coragem para educar três filhos nos caminhos de Deus e enfrentar todos os obstáculos que o mundo hoje apresenta. A primeira dificuldade que observo é que muitas mulheres acham um verdadeiro sacrifício assumir o papel de mãe em tempo integral. Para mim, me dedicar totalmente aos meus filhos tem sido muito prazeroso e me sinto plenamente realizada, apesar da cobrança da sociedade por supermulheres que administram o lar, têm um emprego, são profissionais bem-sucedidas e ainda contribuem para aumentar a renda familiar. Confesso que já tive crises de consciência e de pensar que o que faço é muito pouco. Já pensei seriamente se vivo assim por opção ou por falta de opção.

Alguns anos atrás, conversei seriamente com Deus sobre isso e Ele me respondeu de uma forma surpreendente e maravilhosa. Ao assistir a uma programação da escola adventista e ouvir o coral em que minha filha mais velha cantava, então com sete anos de idade, senti um desejo muito forte de voltar a lecionar. Naquela madrugada, orei e chorei: “Eu quero fazer parte da Tua obra, Senhor! Quero fazer diferença na vida de alguém e ser usada por Ti. Quero me sentir útil.”

Terminei de orar e senti forte impressão de que devia ler o livro A Ciência do Bom Viver, de Ellen White. Abri exatamente nas páginas que falam sobre a função e a importância da mãe: “O trabalho da mãe muitas vezes se afigura, aos seus próprios olhos, sem importância. Raras vezes é apreciado. Pouco sabem os outros de seus muitos cuidados e encargos. Seus dias são ocupados com uma série de pequeninos deveres, exigindo todos paciente esforço, domínio de si mesma, tato, sabedoria e abnegado amor. […] Anjos do Céu observam a mãe, fatigada de cuidados, notando suas responsabilidades dia a dia. Seu nome pode não ser ouvido no mundo, acha-se, porém, escrito no livro da vida do Cordeiro. Existe um Deus em cima no Céu, e a luz e glória do Seu trono repousam sobre a fiel mãe enquanto ela se esforça por educar os filhos para resistirem à influência do mal. Nenhuma outra obra pode se comparar à sua em importância” (p. 377, 378).

Fiquei emocionada e senti Deus me falando ao coração: “Filha, Eu te dei um grande privilégio de ficar em casa cuidando da sua família. Aos Meus olhos, você já é muito útil. Mas, se você quer mesmo, além disso, ser professora, Eu atenderei seu pedido.”

Poucos dias depois, acho que dois ou três, numa sexta-feira, o diretor do Colégio Adventista de Tatuí me ligou: “Professora, precisamos de você para começar a trabalhar na segunda-feira. A professora do primeiro ano está com problemas de saúde. Você pode assumir o lugar dela?”

Pedi para pensar, mas já sabia que acabaria aceitando o convite. Foi um ano muito difícil. Me realizei muito ao ver o progresso dos meus alunos e em poder ajudá-los a vencer suas dificuldades. Mas sofri muito em ter que deixar minha família em segundo plano e fazer da escola minha prioridade.

Depois do sofrimento inicial, nos acostumamos à rotina corrida e nos adaptamos ao novo estilo de vida: chegar em casa com louça do almoço na pia; roupas ainda no varal; pão de padaria; sem tempo para brincadeiras; papéis e outros materiais para recortar; semanário para fazer nos fins de semana; almoços rápidos; tempo contado para tudo… Sei que o tempo perdido que não dei para minhas filhinhas, com três e sete anos, na época, nunca mais vai voltar e alguma coisa no nosso relacionamento se perdeu. Mas estávamos todos aparentemente muito bem. Então, Deus falou seriamente comigo: “É essa vida que você quer para sua família?” “Não, Senhor”, respondi, “não quero aprender a gostar desta vida.”

Não condeno quem fez essa escolha, ou melhor, quem precisa realmente fazer essa escolha. Mas aprendi que não há realização melhor do que cuidar de seus próprios filhos e ver que, aliadas a Deus, estamos construindo o caráter deles. São momentos muito gostosos e que não têm preço.

No fim de 2009, pedi para sair da escola e, em janeiro, Deus me deu mais um grande presente: engravidei do nosso menininho, o Mikhael, que nasceu em setembro de 2010. Estou curtindo como nunca ser mãe, e as meninas curtem comigo.

Quando me dizem que sou corajosa, penso que é preciso muito mais coragem para dar as costas aos filhos e passar o dia longe deles, longe de todos os momentos em que eles precisarão da mamãe.

Neste blog, quero compartilhar com outras mães (e demais leitores interessados) episódios desta nossa “vidinha” de mãe em tempo integral. E quem passa por isso sabe o quanto somos ocupadas, por isso vai entender que serão postagens esporádicas. Tá bom?

Que Deus nos abençoe nesta importante missão.

Gostaria de compartilhar também o texto da amiga Joélia, que traduz bem nosso sentimento:

Parei

Esposa, amiga e mãe 24 horas…
Fiz um plano com Deus e…. Parei!!!!
Parei de trabalhar fora, mas não em casa.
Parei de sair cedo e chegar tarde.
Parei de trabalhar apenas meio período e me “dividir”.
Parei para amamentar, para ver o primeiro sorriso, para dar a primeira papinha, a primeira frutinha, ver engatinhar, dar o primeiro passo.
Parei para fazer as comidinhas preferidas.
Parei para fazer sucos, bolos e bolachinhas.
Parei para fazer “cultinho” de manhã e à noite.
Parei para curtir as “pracinhas” e “parquinhos”, para balançar e ser balançada.
Parei para ouvir a primeira palavra, a primeira música cantada.
Parei para ir à praia, piscina, sem ter que esperar por domingos e feriados.
Parei para fazer amizade com mães desconhecidas, trocar experiências e dar risadas.
Parei para brincar de carrinho, boneca, entrar na piscina de bolinhas.
Parei para ir ao pula-pula, sair para tomar sorvete e me lambuzar com eles.
Parei para lavar louça junto com meus filhos; ver a alegria no rostinho deles ao ajudar a mamãe a fazer pão…
Parei para ensinar a arrumar a cama, dobrar as roupas e guardar os brinquedos.
Parei para mostrar Jesus em tempo integral. Pois, cedo ou tarde, os filhos crescem e vão embora e o que eu fizer como mãe perdurará por toda vida.
Parei!!!!
Fácil? Não é.
Falhas? Sim. Todos temos.
Mas… “Tudo posso nAquele que me fortalece.”
E guardo no meu coração a certeza de que Deus está no controle.
E cuidará dos meus filhos.

Débora Borges

Janela para o Céu

FamilyPrayerQuando tinha nove anos, fui convidada pelo vizinho para participar dos cultos que ele fazia com a família dele. Pedi autorização aos meus pais e toda noite me unia àquela família para orar e ler trechos da Bíblia. Especialmente as histórias do Gênesis me deixavam impressionada. Comecei a mudar minhas atitudes em casa e meus pais ficaram preocupados, achando que eu estava ficando “fanática”. Proibiram-me de participar dos cultos e resolveram rezar o terço em casa. Para o meu irmão e para mim, aqueles eram momentos muito desagradáveis. “Tudo bem que a gente reze, mas não precisam ficar com essa cara de tristes”, pedia ele. Aqueles eram momentos realmente maçantes e, com o tempo, meus pais acabaram desistindo da idéia e tudo voltou a ser como antes. Que pena. Perdemos uma grande chance de conhecer melhor a Deus, antes mesmo de nos tornarmos adventistas.

O tempo passou. Cresci, me casei e tenho três filhos pequenos. Quando me lembro dessa experiência da minha infância, fico me perguntando o que tenho feito para tornar a religião algo agradável e relevante na vida das minhas meninas.

Alguns pais se sentem orgulhosos e felizes por verem seus filhos prosperarem intectual e materialmente. Isso é bom, mas se o coração deles está vazio, longe de Deus e em busca apenas das honras deste mundo, é tudo vão. E quando Jesus voltar e perguntar por esses filhos? Eles são um presente emprestado. Um dia teremos que devolvê-los a Deus. Infelizmente, muitos se esquecem disso e criam filhos apenas para este mundo.

Você tem buscado a Deus a fim de ensinar seus filhos a dependerem dEle também? Ou tem colocado outras coisas no topo de sua lista de prioridades – novelas, filmes, esportes, propriedades? Os filhos observam tudo e aprendem com nosso exemplo.

Se deseja a ajuda de Jesus para salvar, abençoar e livrar seus filhos das más influências, há um braço poderoso estendido para você. Deus é tão bom que deixou orientações claras e específicas para que os pais ajudem os filhos: “Toda família deve construir seu altar de oração, reconhecendo que o temor do Senhor é o princípio da sabedoria” (Ellen G. White, Orientação da Criança, p. 517). E Ele diz mais: “Acheguemo-nos confiadamente junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” (Hebreus 4:16).

Assim como os patriarcas, devemos também construir no lar um altar de oração – o culto familiar. Mas como deve ser esse culto? Ellen White dá algumas dicas:

“O pai, como sacerdote da casa, deponha sobre o altar de Deus o sacrifício da manhã e da tarde” (Orientação da Criança, p. 519).

O culto não deve ser de forma insípida e com monótona repetição de frases. Deus é desonrado quando o culto é seco e tedioso.

Deve conter a expressão de nossas necessidades e homenagem de grato amor ao Criador.

As orações devem ser curtas e ao ponto, com palavras simples. “Quando um capítulo comprido é lido e explicado e se faz uma longa oração, esse precioso culto se torna enfadonho e é um alívio quando passa” (Ibidem, p. 521).

Escolha um trecho interessante e fácil da Bíblia – e todos devem ler. Alguns versos são suficientes para dar uma lição que será praticada todo o dia.

A criança também pode ajudar a preparar o culto e escolher o que vai ser lido.

Depois deve-se perguntar a ela sobre o que foi lido e fazer aplicações na vida diária.

O ideal é que os cultos sejam feitos antes do desjejum e à tarde, antes de que venha o cansaço e o sono. “É o dever dos pais cristãos, de manhã e à tarde, pela fervente oração e fé perseverante, porem um muro em torno de seus filhos” (Serviço Cristão, p. 210).

Não se deixe levar pelas circunstâncias: mesmo quando estiver muito atarefado ou quando houver visitas em casa, não negligencie o culto. Assim, as crianças aprenderão a importância da religião na vida da família.

Aproveite o poder da música. Ela é um ato de adoração como a oração, e é “um dos meios mais eficazes para impressionar o coração com as verdades espirituais. Quantas vezes, ao coração oprimido duramente e pronto a desesperar, vêm à memória algumas das palavras de Deus – as de um estribilho, há muito esquecido, de um hino da infância – e as tentações perdem o seu poder, a vida assume nova significação e novo propósito, e o ânimo e a alegria se comunicam a outras pessoas!” (Orientação da Criança, p. 523).

Tenho experimentado o poder do culto familiar em meu próprio lar. Minha filha Giovanna, quando tinha quatro anos, “compunha” um hino todos os dias e tinha prazer em apresentá-lo no momento do culto. Eram (e continuam sendo) momentos especiais de união e paz. E sempre que oro por minha família e peço a Deus forças para cumprir minha missão de mãe, me vem à mente a promessa: “Ele não Se desviará de vossas petições, deixando a vós e aos vossos como brinquedo de Satanás, no grande dia do conflito final. É vossa parte trabalhar com simplicidade e fidelidade, e Deus estabelecerá a obra de vossas mãos” (Ibidem, 526).

Quero ter meus filhos no Céu, por isso preciso apresentá-los ao Céu. É como se nós, pais, na hora do culto familiar, convidássemos: “Filhinho(a), venha aqui. Dê uma espiada nesse lugar. Que tal morarmos lá?”

Abra essa “janela para o Céu” em sua casa também.

Débora Borges

Salvo pelo leite

amamentandoQuando nossa filha mais velha teve catapora, sofri tanto que cheguei a dizer que nunca mais iria querer ter outro filho. Ela ficou mais de uma semana com febre e chorava dia e noite. Não tinha parte alguma em seu corpinho em que não tivessem aparecido feridas. Foram dias difíceis e assustadores para uma mãe de primeira viagem, pois ela nunca havia ficado doente antes e já estava com quase um ano. Mas tudo passou sem maiores sequelas, e o sofrimento ficou para trás.

Nas últimas férias de verão, foi a vez da nossa ex-caçulinha, de cinco anos, pegar catapora. Quando vi uma bolhinha na testa dela e sua temperatura mais alta, lembrei do passado e tremi de medo de que meu bebê de três meses também fosse infectado.

Nossa Marcella “galega” (como carinhosamente a chamamos) é muito forte e mesmo com febre não se deixou abater. Continuou alegre e brincalhona como sempre. Eu temia mais pelo meu bebezinho e comecei a orar para Deus livrá-lo da doença.

O pediatra disse que talvez ele não pegasse, pois seu único alimento é o leite materno, e como eu já tive catapora na infância, acabo passando meus anticorpos para ele. Amamentar é mesmo tudo de bom! Ele ficou, sim, com algumas poucas bolhinhas, mas não teve nem febre. Graças a Deus a ao meu abençoado leite!

Na amamentação das meninas, eu sofri por causa de rachaduras nos seios. E quem já passou por isso sabe o quando dói! Mas inventaram uma conchinha de plástico com silicone que mantém o mamilo úmido e ajuda a não rachar. Foi uma bênção descobrir essa invenção. Deixo minha dica para que esse momento tão especial da amamentação se torne ainda mais prazeroso.

Amamentar é um ato de amor e que protege seu bebê. É mais uma evidência do cuidado do nosso Criador.

Débora Borges

 
Leia mais textos sobre amamentação aqui.

O grande encontro

bancoDeus é a fonte do amor. Como tudo se torna diferente quando amamos e somos amados. O amor torna leves os sacrifícios e mais fácil suportar os fardos. Exemplo? O primeiro amor é o de mãe. Há uma ligação muito íntima entre a mãe e seu babe. Há muita dor e sofrimento envolvidos no nascimento, para ambos, mas o amor que os une torna tudo motivo de alegria. Quando minha filha Giovanna estava para nascer, cheguei a sorrir com as dores do parto, de tão feliz que fiquei por poder ver o rostinho dela.

Quando crescemos, as pessoas podem olhar rudemente para nós, diante de um mau comportamento nosso, e podem até querer que sejamos severamente punidos. Mas a mãe repreende com amor. Ela vê o querido filho por sobre o muro de seus maus atos. Ela consegue ver os pontos positivos que podem ser trabalhados.

Tratamos de maneira diferente as pessoas que amamos. Toleramos defeitos que estaríamos prontos a apontar num estranho ¬– ainda mais quando se trata de alguém que nos é antipático.

E quando estamos apaixonados? Parece que saem coraçõezinhos dos olhos quando olhamos para aquela pessoa. Estamos dispostos a quase tudo para poder ficar perto do(a) amado(a).

Nas primeiras semanas de namoro, o Michelson e eu marcamos de nos encontrar num feriado. O dia estava perfeito para ficar em casa. Um dia escuro, chuvoso e ainda por cima ventava. E o vento em Florianópolis pode ser bem incômodo e frio. Mas eu iria encontrar meu amado – nem que chovesse canivete! Peguei o ônibus e depois de uma viagem de cerca de uma hora cheguei ao lugar combinado: o terminal rodoviário. Era nosso ponto de encontro. Encolhi-me ali no banco, tentando não pegar chuva. E esperei. Esperei. Esperei… Meu coração disparava a cada ônibus que chegava. Depois de 15 minutos, comecei a ficar preocupada. Depois de 30 minutos, já estava muito nervosa. Depois de 45, estava quase chorando. Depois de uma hora, segurei as lágrimas e me convenci de que ele não viria e que teria que me dar uma boa explicação, se quisesse continuar o namoro.

Eu já estava indo embora, quando, de repente, meu coração doeu (minha barriga, não sei), ao ver no meio da multidão o sorriso do meu amado. É incrível, mas a raiva passou na hora!

Ficamos passeando de guarda-chuva e, quando a chuva engrossava, ficávamos namorando embaixo de alguma marquise. Se fosse para fazer outra coisa qualquer, diria que não seria possível, por causa do mau tempo. Mas, por amor, a chuva não seria empecilho. E tivemos uma tarde maravilhosa.

Deus nos ama e quer o nosso amor. Se amarmos a Deus, estar com Ele e fazer a vontade dEle será um prazer – faça chuva ou faça sol.

Ellen White diz: “Quem precisar, por amor de Cristo, passar pelo calor da fornalha, terá ao lado o Senhor, como os três fiéis de Babilônia. Quem amar ao Redentor, alegrar-se-á em todas as ocasiões de participar de Suas humilhações e insultos. O amor de Jesus torna doces os sofrimentos” (O Maior Discurso de Cristo, p. 30).

Se, por amor aos homens, somos capazes de fazer tantas coisas, quanto mais não faremos por amor a Deus? Jesus quer conquistar nosso coração: “Com amor eterno te amei” (Jr 31:3). Jesus é mais do que apaixonado por você. Ele o(a) ama com amor eterno, e quer muito conquistar seu coração. Ele nunca vai desistir. Ele é insistente para conquistar e fará de tudo para chamar sua atenção. Para você perceber isso, é só querer sentir a presença de Deus em sua vida.

É interessante observar um casal de namorados apaixonados. Eles constantemente manifestam amor e carinho. Mas, depois de anos de casados, as preocupações da vida e a rotina do trabalho – e muitos outros compromissos – parecem impedir que alguns casais continuem expressando amor constantemente.

Alguns se relacionam com Deus da mesma maneira. Quando conhecem a Jesus e vivem o primeiro amor, parece que podem sentir mais a presença do Criador. Mas, com o passar dos anos, o amor vai esfriando e a religião simplesmente vira mais uma rotina. Não conseguem ver e sentir as manifestações do amor de Deus.

Não é assim que o Senhor Se relaciona com a gente! “Lembro-Me de ti, da tua afeição quando eras jovem” (Jr 2:2). O amor de Deus nunca muda. Sempre está ali esperando por você. Se, às vezes, não conseguimos ver, é porque não estamos buscando de todo coração. É porque estamos enchendo o coração com muitas outras coisas. Podem ser coisas boas, até: trabalho, família, estudos, passeios, namoro, etc. Ou, pior, quando sobra um tempinho depois disso tudo, alguns vão relaxar com passatempos que nada acrescentam à vida e não edificam. Que lugar Deus ocupa no seu coração? Se Ele realmente está em primeiro lugar, do espaço que sobra, muitas coisas serão abolidas do seu dia a dia.

A pior dor para uma pessoa apaixonada é descobrir que foi traída. Você, que é considerado(a) a “noiva do Cordeiro”, você é o supremo objeto do amor de Deus. Você foi resgatado pelo sangue precioso de Jesus. Ele separou você das coisas ruins deste mundo. Deu-lhe nova vida, novo coração! Ele quer o seu amor, a sua fidelidade.

Quando enchemos o coração com as coisas deste mundo, como se os valores do mundo fossem mais importantes, estamos traindo esse amor que Jesus nos dedica. Lembre-se: é impossível servir a dois senhores, de acordo com Jesus. Se amo a Jesus, vou buscá-Lo em primeiro lugar. As coisas mais importantes para mim são as que consomem meu tempo e meu dinheiro.

Nesta semana, uma jovem da igreja que frequento me perguntou: “Você viu o Bahuan?” Baal quem? Baal-huan? Não conheço e não me interesso. Mas nesta semana eu vi Jeremias em minha Bíblia. Foi maravilhoso ver como ele foi fiel a Deus e não teve medo de pregar a verdade, quando todos queriam que ele se calasse.

Como vou ter prazer em ser fiel, em estar ao lado de alguém que não amo? Como vou amar meu esposo, se encher meu coração de “amantes”? Como vou valorizar alguma coisa que ele faz, se amo mais o que os outros fazer? “Torna-te para Mim”, diz o Senhor, em Jeremias 3:1. Por que não vemos manifestações do poder de Deus? Porque não O buscamos de todo o coração (Jr 29:13).

Você vai se surpreender quando “Baal” sair da sua vida e deixar e Cristo ser o seu Senhor. Alguma coisa extraordinária vai acontecer! É maravilhoso ouvir a voz de Deus, do seu amado. Deus quer ter um encontro com você. Não é maravilhoso ter um encontro com quem amamos? Ficamos ansiosos por esse momento. Fazemos qualquer esforço: pegamos chuva, vento, ônibus… Marque um encontro com Deus. Ele não vai deixar você esperando.

No ano passado, tive uma experiência muito agradável nesse sentido. Algumas amigas participaram do projeto das 40 madrugadas com Deus. Achei fantástico elas conseguirem. Mas, para mim, no primeiro momento, pareceu impossível. Tenho muito sono e minhas filhas me acordam várias vezes durante a noite. No encerramento das 40 madrugadas, foi feito um culto de agradecimento durante o qual fui muito tocada pelos testemunhos. Depois de algum tempo, veio o convite para toda a igreja. Pensei em Jesus. Pensei como se eu fosse ter um encontro especial com Ele. Fiquei com medo de não conseguir, mas pedi para Ele me ajudar.

Combinamos de nos encontrar às três da madrugada. Só eu e Ele. Não queria acordar ninguém, por isso não programei o despertador. Fui dormir feliz naquela noite.

Algum tempo depois de adormecer (não sabia quantas horas haviam passado), senti alguém me chamar suavemente. Abri os olhos sonolentos, sem ainda entender direito o que estava acontecendo. Quando os pensamentos ficaram mais claros, o coração disparou. Era Jesus! Olhei no relógio: três horas em ponto! Emocionada, fui para o quarto ao lado orar e ler a apostila preparada pela igreja. Fui para nosso encontro! Foram 40 madrugadas que me tornaram mais sensível à voz de Deus.

Não deixe seu amor esfriar. Alimente esse amor. Jesus promete que você será correspondido.

“As Tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo Teu nome sou chamado” (Jr 15:16). Você é chamado pelo nome de Deus. O Senhor desposou você. Todos devem saber que você é de Jesus. Alguma coisa pode trazer mais alegria do que a Palavra do Senhor? Quando prefiro fazer algo que não me aproxima de Deus, isso me traz angústia. Seja sincero; Deus esquadrinha seu coração. Se algo está esfriando seu amor, deixe Deus lhe mostrar, pois “enganoso é o coração, mais do que todas as coisas… Eu o Senhor esquadrinho o coração, e provo os pensamentos” (Jr 17:9, 10).

Deixe Deus moldar seu coração (Jr 18:3-6). Deixe Deus ser o Senhor da sua vida. Tire o culto a Baal da sua casa, da sua mente. Faça sua parte que Deus é fiel e justo, e cumprirá a dEle. Ele tem tantas provas de amor para lhe mostrar…

Em vez de perguntar se pode ir ao cinema, se pode comer isso ou aquilo, se pode se vestir de determinada maneira… pergunte”: “O que posso fazer para ficar mais perto de Deus?” Se você fizer isso, entenderá as palavras: “Firmarei nova aliança com a casa de Israel… Eu serei o seu Deus e eles serão o Meu povo” (Jr 31:31-33).

Você sabia que Deus habitará conosco? (Ap 21:1-7). Você está se preparando, como noiva do Cordeiro? Está ansioso(a) por esse encontro com Seu grande amor?

Débora Borges

Famílias da esperança: o portfólio de Deus

Caucasian mid adult parents cuddling with toddler son sleeping in bed.
Família

Os cristãos e os adventistas em particular são portadores de uma mensagem maravilhosa. Assim como no passado, Deus escolheu um povo especial para levar Sua Palavra ao mundo. Deus os escolheu para anunciar a volta de Jesus e mostrar a todas as pessoas que existe esperança. Mas a felicidade que Jesus promete não precisa começar somente quando Ele voltar. É claro que ela será plena a partir daquela ocasião, mas Jesus pode nos fazer felizes aqui também.

As pessoas que recebem nossa mensagem, como aconteceu no dia do projeto Impacto Esperança, querem ver o poder transformador de Jesus na vida de Seus filhos. E de que forma e em que lugar esse poder pode melhor ser visto? No lar. É no lar que mostramos quem somos de verdade e se Jesus está realmente em nosso coração.

Para alguns, é muito mais fácil vestir um terno, pregar um belo sermão do que tratar amavelmente a esposa e os filhos. Mas note o que escreveu Paulo em 1 Timóteo 3:5: “Se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?”

Palavras que não são acompanhadas de exemplo não têm poder nenhum. Tornam-se mentira. “Cumpre ao pai fortalecer na família as austeras virtudes – energia, integridade, honestidade, paciência, ânimo, diligência e utilidade prática. E o que exige de seus filhos deve ele mesmo praticar, ilustrando essas virtudes na própria conduta varonil” (Ellen G. White, A Ciência do Bom Viver, p. 391). Como posso falar do poder de Cristo se não o experimento em minha vida? As famílias são o portfólio de Deus.

É muito importante conhecer as doutrinas bíblicas – o sábado, o estado do ser humano na morte, o santuário celestial. Tudo isso é essencial para conhecer o caráter de Deus e a vontade dEle para nossa vida. Mas de que adianta conhecer teologia e ter um verdadeiro “inferno” no lar? “O lar deve ser um lugar onde o contentamento, a cortesia e o amor façam habitação; onde moram essas graças, aí residem a paz e felicidade. Podem invadi-lo as aflições, mas isso é a situação da humanidade. Que a paciência, a gratidão e o amor mantenham no coração a luz solar, seja embora o dia sempre nublado. Em tais lares os anjos de Deus habitam” (Ibidem, p. 393).

O mundo está carente de vivenciar o verdadeiro amor. Temos disso para oferecer? É muito triste saber que entre os cristãos há casais que meramente se suportam; que “vão levando”; que apenas mantêm as aparências, enquanto alimentam ressentimentos. O carinho e a cortesia são lembranças de um tempo que não mais existe – como se tivessem se tornado pessoas estranhas, que não mais se conhecem.

Como isso foi acontecer? A frieza e a indiferença não aparecem de um dia para o outro. A pessoa não vai dormir amando e, no outro dia, quando acorda, descobre que não ama mais. Não é assim que funciona. Da mesma maneira como o amor deve ser diariamente cultivado, o contrário também acontece. A “chama”, se não alimentada, vai se apagando aos poucos.

Precisamos hoje aproveitar a oportunidade que Deus nos está dando e mudar o que precisa ser mudado. Precisamos ouvir a voz de Deus e deixar que Ele nos mostre se temos falhado em algum ponto. Lembre-se: para Deus, nada é impossível! Mas você tem que querer. Analise o seguinte:

1. Os namorados não medem esforços para estar juntos. No casamento, por quantas coisas os cônjuges se privam da companhia um do outro? O que é mais importante: trabalho, futebol, amigos, internet, evangelismo? (Claro que não devemos perder a individualidade, mas escolher tornar-se “uma só carne” também interfere nisso, mas com prazer!) Quanto mais você ficar longe do(a) cônjuge, mais se distanciará e menos vontade terá de estar com ele/ela. Cada um passa a ter seu universo particular e aos poucos o relacionamento se torna jugo desigual. Por isso, faça sua parte. Mesmo que venham a tentação e a pressão, não troque a companhia de seu/sua cônjuge por outras atividades.

2. No namoro, fala-se com delicadeza e usam-se palavras de apreço e admiração. E no casamento? Muitas vezes o que prevalece é a rispidez e a crítica. O que fazer? Ter sempre palavras corteses e admirar o(a) cônjuge. Precisamos nos sentir valorizados e respeitados. Isso mexe com nossa autoestima e com a dignidade própria.

3. No namoro, quando se está apaixonado, acha-se lindo aquele “narizinho”, os cabelos, a voz… Só temos olhos para a pessoa amada e não há espaço para uma amizade especial com alguém do sexo oposto. Quando a relação conjugal não vai bem, abre-se a oportunidade para a admiração indevida de outras pessoas. Comparações impróprias começam a ser feitas e o caminho da ruína surge diante da pessoa. Esse é um grande perigo! A carência emocional e os laços de amizade com alguém do sexo oposto podem ser usados pelo inimigo de Deus para confundir os sentimentos e abrir a porta ao adultério. Portanto, nunca permita que alguém seja mais amigo(a) do(a) seu/sua cônjuge do que você. Seu coração deve estar ligado ao dele/dela. E se você perceber que está tendo muita afinidade com alguém, que o assunto não acaba mais… corte logo isso! Não deixe ninguém se intrometer em seu casamento e roubar sua afeição.

Ellen White aconselha: “Estudem, o marido e a esposa, a felicidade mútua, nunca faltando as pequeninas cortesias e pequenos atos de bondade que alegram e iluminam a vida. Entre o marido e a esposa deve existir perfeita confiança” (Ibidem). Precisamos proteger nosso lar e pedir que Deus nos ajude a ter sabedoria e prudência.

Outro antídoto para a desesperança e a desarmonia no lar é o culto familiar. “Pais e mães, por mais prementes que sejam vossos afazeres, não deixeis de reunir vossa família em torno do altar de Deus. Pedi a guarda dos santos anjos em vosso lar. Lembrai-vos de que vossos queridos estão sujeitos a tentações. Aborrecimentos diários juncam a estrada tanto dos jovens como dos mais idosos. Os que querem viver vida paciente, amorável e satisfeita, devem orar. Somente obtendo constante auxílio de Deus podemos alcançar a vitória sobre o eu” (Ibidem).

A presença de Jesus pode mudar qualquer situação. Ele restaura os corações e nos dá o verdadeiro amor. Deus planejou a família porque é o melhor plano para nos fazer felizes. Se você for feliz no lar, será feliz no trabalho, na igreja, na sociedade. Estará apto a ter o amor de Deus e levar esperança ao mundo.

Débora Borges